sexta-feira, 11 de junho de 2010

Bennett e Wayne

Na década de 90 do século passado, acompanhava meu pai pelo interior do município de Soledade/RS, pois como pequenos produtores rurais estávamos sempre comprando bois para engorda. Comprávamos bois de 02 anos de idade, cuidávamos e engordávamos eles por mais 2 anos e então vendíamos para os frigoríficos. Numa dessas diligências, fomos até o interior do Município de Mormaço/RS, naquela época, recentemente emancipado de Soledade (20/03/1992), nos dirigimos até a localidade de 'Água Branca', quando passamos no local, percebi que ali existiu um posto de combustível, devido a presença de duas bombas de combustível, abandonadas e maltratadas pelo rigoroso inverno gaúcho, com suas chuvas e geadas. Ainda lembro do comentário do meu pai naquela ocasião: ''Água Branca foi uma localidade prospera no passado, veja, tinha até posto de gasolina".

Passados quase vinte anos, um antigo cliente do meu pai, também advogado, passou a ser meu cliente, o "seu" João Junyr, que aparece numa das fotos abaixo, sendo que o mesmo, reside na referida localidade de 'Água Branca', na aquele instante veio a lembrança do antigo posto e das bombas de gasolina. Perguntei-lhe se elas ainda estavam lá. Para minha surpresa, a resposta foi afirmativa. Pedi se ele sabia quem era o proprietário. Disse que a situação era meio enrolada, pois a família do proprietário do antigo posto vendeu o terreno para um terceiro e as bombas permaneceram no local. Pedi para ele averiguar quem seriam os reais proprietários das bombas e se tinham interesse de vender.

Uns 15 dias depois da nossa conversa o meu cliente, retorna no meu escritório. O "seu" João Junyr, sempre com uma história fantástica, como por exemplo, de que ele foi um dos primeiros produtores de soja da região de Soledade, isso nos anos 60, quando ia com o seu caminhão até Porto Alegre/RS buscar adubos e fertilizantes na antiga 'Adubos Trevo', hoje Fertilizantes Piratini, na beira do rio Guaíba.

A notícia era boa, descobriu quem era os donos das bombas e que vendiam, mas na opinião dele o preço era alto, cem reais cada bomba. Negócio fechado na hora, nem precisava ir olhar. A única condição dos vendedores era de que eu teria que ir lá na Agua Branca, soltar as bombas dos tanques que ainda estavam enterrados e efetuar o pagamento. Topei, mas eu também fiz um pedido. O 'seu' Junir teria que fazer o transporte das bombas até a minha casa, eu pagaria o frete. Proposta aceita, fiquei de ligar para ele avisando o dia que eu iria 'soltar' as bombas e pagar os proprietários, pois gostaria que o mesmo estivesse junto.

Passou umas semanas e o sr. João Junir liga perguntando se eu não ia buscar as bombas, disse que iria naquele sábado, combinamos o horário. No sábado de manha, com uma boa 'chave de cano' e duas latas de spray 'desingripante' me dirigi até o local, cheguei um pouco antes do meu cliente, mas o avistei chegando a cavalo.

Enquanto ele não chegava fui analisando o estado das bombas, não estava lá essas coisas, quase bateu um arrependimento, mas agora azar, por R$ 100,00 cada uma, vamos levar para casa e ver no que dá.

Convesa de praxe, uma olhada mais de perto nas bombas e identifiquei-las: a vermelha era uma Bennett a verde uma Wayne. Então chegou a hora de tirar as bombas. Apliquei a metade do spray na primeira bomba e o resto na segunda, deixei trabalhar por uns minutos e encaixei a chave de cano na porca que a prendia na tubulação do tanque. Na primeira tentativa a porca nem se mexeu, parecia que estava soldada. Mais algumas tentativas e finalmente girou um pouco, mas spray e finalmente soltou. Na segunda bomba, já na primeira tentativa a porca desrosqueou, tanto que quase cai no chão. Realizei o pagamento e deixamos as bombas ali no chão, o sr. Junyr disse que na segunda-feira iria a Soledade e então carregaria as bombas e levaria até Soledade, na minha casa, o que de fato aconteceu, mas daí já é outra história ...

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