sábado, 11 de setembro de 2010

Primeira Mostra Sul-Brasileira de Veículos Antigos Nacionais - outubro de 2006 (01)

Fazendo uma 'faxina' no computador, achei um artigo e fotos de minha autoria sobre a Primeira Mostra Sul-Brasileira de Veículos Antigos Nacionais, realizada nos dias 26, 27 e 28 de outubro de 2006 na cidade de Passo Fundo/RS e promovida pelo Veteran Car Club local, segue abaixo a primeira parte do artigo e algumas fotos:


O que escrever sobre um evento onde estavam expostos veículos raros, da qualidade do Democrata (IBAP), Itamaraty Executivo, Puma DKW, Lafer LL, além dos esportivos Adamo, Miura, Farus, Santa Matilde, Karmann-Ghia, VW-SP2 e muitos outros carros nacionais que representam a história da industria nacional e a sua criatividade em construir carros diferenciados, num momento em que as importações de veículos estavam proibidas.


A Primeira Mostra Sul-brasileira de Veículos Nacionais Antigos promovida pelo Veteran Car Passo Fundo, nos dias 28 e 29 de outubro, no shopping Bourbon, em local coberto e climatizado, onde foram expostos veículos nacionais originais previamente convidados pela organização do evento.



Entre os muitos carros raros, destaque para o Puma DKW, equipado com motor de três cilindros, dois tempos e 981 cm3, que desenvolvia a potência de 60cv a 4.500 rpm; a velocidade máxima era 145 km/h. Esses veículos foram produzidos somente nos anos de 1966 e 1967, totalizando, aproximadamente, 160 unidades, pois em 1967 a Vemag, empresa que fabricava os veículos DKW e fornecia os motores para a empresa Puma, foi absorvida pela Volkswagen. Com o encerramento da produção dos DKW, a Puma desenvolveu outro esportivo, agora equipado com motor de 4 cilindros refrigerado a ar e com 1.500 cm3, propulsor que equipava o VW Karmann-Ghia. Este novo Puma foi denominado GT, mas ficou mesmo conhecido como Tubarão, devido a suas laterais em forma de guelras que lembravam o temível predador dos mares.



O veículo Democrata, fabricado pela IBAP, exposto em local destacado, chamava a atenção dos visitantes por se tratar de um veículo raro, segundo informações foram montados completamente apenas uma unidade e outras 4 ficaram semi-acabados. A Indústria Brasileira de Automóveis Presidente (IBAP) inaugurada em outubro de 1963 e criada pelo empresário Nelson Fernandes, apresentava uma proposta revolucionária para levantar recursos para viabilizar o projeto de construção do carro 100% nacional (a exceção do motor, criado pela empresa italiana Procosautom, exclusivamente para o Democrata), a venda de títulos de propriedade da empresa, desta forma a IBAP conseguiu reunir 50 mil sócios-próprietários, os quais tinham direito a dividendos e descontos especiais na aquisição do automóvel. Equipado com um motor V6 de 2.500 cm3, instalado na traseira, com bloco de alumínio, desenvolvia 120 cv a 4.500 rpm, uma potência elevadíssima para a época, proporcionando uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 10 segundos e uma velocidade máxima de 170 km/h.


Segundo informações o Democrata foi alvo de campanha difamatória por parte de montadoras concorrentes, as quais colocavam em dúvida a durabilidade da carroceria em fibra de vidro. Curiosa foi a campanha itinerante da IBAP, levando Democratas a vários pontos do país e permitindo que as pessoas batessem no carro com canos de ferro, a fim de comprovar que a resistência da fibra era até maior que das chapas de aço. Após uma série de ações do Governo Federal contra a IBAP, o lançamento do Democrata foi abortado em 1968, com apenas cinco unidades concluídas.


O texto continua no próximo post, aproveitem as fotos.


(clique nas fotos para ampliar)

2 comentários:

  1. Excelente evento. Pena que eventos deste tipo não tem mais ocorrido, apenas aqueles que o Paulo Trevisan através do Museu do Automobilismo Brasileiro tem propocionado.

    ResponderExcluir
  2. Jcésar,
    Veja se faz a liçao de casa e conta tudo sobre o Democrata.
    O outro lado é que simplesmente não daria para se fazer 50 mil carros em fibra de vidro, inviável e os caras da Ibap sempre souberam disso e continuaram vendendo o carro a crédulos.
    O motor nunca foi dessa empresa citada, era um motor Sereníssima, empresa que chegou a ensaiar uma entrada na F1, mas como em tudo que se meteu acabou dando errado. Fora o custo e complexidade, aproveite e veja o motor do carro do Azambuja, que por sinal é o único legítimo e completo, os outros que tem por aí foram montados da maneira que deu.
    A alegada perseguiçao pelo governo é balela, fizeram muito bem e deviam ter agido antes.
    Não sou contra a preservação de memória, mas no caso é preservação de memória mentirosa. Ninguém me contou nada sobre a Ibap, eu vi e vivi.

    ResponderExcluir